Coluna da ACI
Guálter George
Jornalista
A vocação pede diploma
O fim da exigência do diploma para o exercício do jornalismo fecha um ciclo recente de decisões que, no centro, fortalecem a ideia de que a atividade será melhor quando livre de regulações.

Adísia Sá
Jornalista
ACI DE ETERNA JUVENTUDE  
Sair de Cariré, passar por Sobral e chegar a Fortaleza é uma trajetória  inesquecível para uma menina criada ouvindo  histórias fantásticas  contadas por  seu pai, antigo morador da floresta amazônica  cheia de assombração, cobras , macacos, onças.


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Profissão ou ilusão de menino ?

Movido pela amizade fraterna e por um filial e reverencioso respeito que nutro pela classe jornalística, aceitei o convite desafiador da Presidente Ivonete Maia de contribuir com um depoimento sobre a Associação Cearense de Imprensa nesta publicação comemorativa dos seus 84 anos.

Desde menino, muito novo, respirei o burburinho das redações, acho que o de todos os jornais que existiram em Fortaleza dos meados dos anos cinqüenta até hoje. Guardo vivo na memória o cheiro forte do chumbo fundido dos linotipos e o trabalho minucioso de montagem das matrizes, quando, depois de numerosas revisões, finalmente, aquele mágico quebra-cabeças era imerso em tintas e tecia-se no papel o que era a vida daqueles que habitavam aquelas redações. Muito embora essas lembranças me cheguem vívidas e nítidas como um fato presente, “hoje não ouço mais as vozes daquele tempo...quase todos estão deitados. Dormindo. Profundamente”, como registrou Manuel Bandeira.

Esse retrato que me ficou é composto por personagens que veneravam a sua profissão, homens que envergavam, quase que invariavelmente, impecáveis ternos de linho ou de tropical inglês e, em número menor, mulheres de grande sensibilidade e acuidade crítica que, como dizia-se à época, estavam muito à frente do seu tempo.
Todos pareciam encantar e encantar-se pela nobre inteligência. A diversidade de estilos — que revelava grandes conversadores, narradores prodigiosos, estrategistas políticos, boêmios sentimentais e austeros conservadores — ia de par com um grande senso de responsabilidade pelos destinos da coisa pública e com a qualidade da informação que prestavam. Em minha memória todos pareciam olhar-se com a simpatia e a solidariedade que fazia deles um forte clã, amalgamado pela diferenciação e dimensão de sua missão.

Esses homens e mulheres pareciam estar sempre a tecer os destinos do mundo e isso invadia o ambiente doméstico, que se inundava de livros e jornais. Recebiam e freqüentavam os amigos, mas o tempo lhes era pouco para o “corrilho familiar”. Aos serões, passados na companhia de políticos, em livrarias ou em frequentes confraternizações entre pares, arrastavam as crias maiores, que ansiavam o seu momento de acesso àquele mundo, onde lhes era dado familiarizar-se com as letras e com os grandes temas de interesse público.

A partir de 1959 as reuniões passaram a ter como palco a nova sede da ACI, no Edifício Perboyre e Silva, no centro de Fortaleza, rapidamente transformado no principal ponto de irradiação das letras, da cultura e da política em nossa cidade. Ali testemunhei muitos momentos em que os jornalistas uniram-se fortemente em defesa de seu ofício, ouvi luminares do jornalismo como Barbosa Lima Sobrinho, senti o entusiasmo com que os veteranos acolhiam o brilho e o talento dos jovens profissionais que passavam a ser formados nos bancos universitários.

A convivência com aquela comunidade, que a mim parecia forjada em união e solidariedade, proporcionou momentos marcantes em minha vida, sedimentando em mim o orgulho de ser filho de um profissional de imprensa. Cada passagem por aquele velho templo me remete ao “passado diluído —  doravante irresgatável e incorruptível”, a uma profunda saudade, que encontra alento na certeza de que “ minhas revivescências são povoadas do eterno renascer.”

  Henry Campos
Vice-Reitor da UFC