Coluna da ACI
Guálter George
Jornalista
A vocação pede diploma
O fim da exigência do diploma para o exercício do jornalismo fecha um ciclo recente de decisões que, no centro, fortalecem a ideia de que a atividade será melhor quando livre de regulações.

Adísia Sá
Jornalista
ACI DE ETERNA JUVENTUDE  
Sair de Cariré, passar por Sobral e chegar a Fortaleza é uma trajetória  inesquecível para uma menina criada ouvindo  histórias fantásticas  contadas por  seu pai, antigo morador da floresta amazônica  cheia de assombração, cobras , macacos, onças.


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ACI de eterna juventude

Sair de Cariré, passar por Sobral e chegar a Fortaleza é uma trajetória  inesquecível para uma menina criada ouvindo  histórias fantásticas  contadas por  seu pai, antigo morador da floresta amazônica  cheia de assombração, cobras , macacos, onças.
Poderia ter enveredado pelos caminhos dos contos e romances, mas o seu destino era outro e o encontro se deu na Senador Pompeu, rua dos jornais. Ali, embalada pelo som das impressoras e tomada pelo odor gostoso do chumbo fundido, das tintas e graxas, nasci para ser aquilo que o “destino” marcara: jornalista.

No vizinho O ESTADO publiquei crônicas diárias – era o “Julgamento de Eva”, que me abririam as portas, a 12 de agosto de 1954, da Associação Cearense de Imprensa, presidida por Perboyre e Silva, então no seu 10º mandato. Não fui a primeira mulher a ingressar na entidade. Antes de mim Susana de Alencar Guimarães, Henriqueta Galeno, Adília de Albuquerque, Maria Estela Correia Barbosa... Fui a quinta, mas a que mais tempo pertence à entidade.

Não cheguei à presidência, mas tentei: Ivonete Maia, minha ex-aluna no Curso de Jornalismo na Universidade Federal do Ceará, será, até o momento, primeira e única mulher a chegar lá.

Com Perboyre, em 1959, cheguei a suplente de Diretoria e, a partir de então, ocupei diversos cargos na entidade, sob a presidência de Antonio Carlos Campos de Oliveira e J.C. Alencar Araripe.

Em 1956 me filiei ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Ceará, onde ainda hoje milito. Mas foi na ACI que participei de memoráveis eventos, como instituição dos Prêmios Anuais de Jornalismo – vivendo hoje talvez os seus mais memoráveis dias, campanha pela criação do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará, realização do I Encontro Nacional de Associações de Imprensa (1975).

Hoje, passados mais de cinqüenta anos de filiação, observo a ACI e a vejo com os mesmos olhos de uma audaciosa e sonhadora jovem jornalista. Vejo-a construtora de uma história marcada pela defesa intransigente das liberdades democráticas, atenta ao destino da cidade que contempla a partir da Praça da Ferreira, penetra nas redações e nos gabinetes dos governantes – qual vigilante timoneira, firme no leme, à vista de todos para que saibam que ela, a despeito de seus 84 anos tem fôlego para  defender a Imprensa, a cidade  e  a gente que nela vive e  labuta.